quinta-feira, 6 de junho de 2013

Corantes X Pigmentos, você sabe qual a diferença?

Recebi alguns pigmentos a alguns dias. Óxidos preto, vermelho, amarelo e verde, ultra marine, micas, etc... Mas qual a diferença entre eles e para que servem? Sempre ouço perguntas como pigmento e corante são a mesma coisa? Ou posso usar corante alimentício para fazer meus sabonetes? Dissolvo meus corantes em água, álcool ou óleo? entre tantas outras... Eu mesmo tenho algumas dúvidas a respeito deste assunto, que é tão abrangente.

Como podemos observar são muitas as duvidas e confusões que fazemos quando se trata de distinguir um corante de um pigmento! Vamos tentar explicar neste post quais a diferenças e utilização de cada um deles. Espero que ao final do post todos saibam o que é um corante, o que é um pigmento e qual deles devemos usar a depender de cada finalidade.


Vamos começar conhecendo um pouco a história.

O homem utiliza os corantes desde a Antiguidade para dar cor aos tecidos, às cerâmicas e aos couros. Na Antiguidade, os tecidos de tons vermelhos eram os mais procurados pela aristocracia pois essa cor simbolizava a dignidade e a nobreza.

Acredita-se que o tingimento de tecidos surgiu na Índia: indikos é o nome grego para hindu, o que deu origem ao nome índigo. Da Índia, o tingimento passou para a Pérsia, a Fenícia e o Egito, onde foram encontrados tecidos tingidos em tumbas do século XXV a.C. Os antigos já sabiam que a mistura de corantes azuis, vermelhos e amarelos produzia novas cores. Os gregos pintavam suas cerâmicas de vermelho, preto e azul. Corantes vermelhos, brancos, verdes, azuis, amarelos e pretos tingiam vidros produzidos pelos assírios sete séculos antes de Cristo. Tecidos encontrados em cavernas próximas ao Mar Morto do ano 135 foram tingidos de amarelo com açafrão. Pigmentos eram usados para fazer desenhos em cavernas, decorações de túmulos e pinturas murais.

Três corantes orgânicos de origem vegetal e animal tiveram grande importância desde a antiguidade: o índigo, a púrpura e a alizarina.


O índigo natural, ou corante azul, conhecido também como anil, era obtido a partir do suco da planta indigófera Isatis tinctoria. As propriedades da planta eram conhecidas na Índia, Egito, Grécia, Roma, Inglaterra e Peru.

O corante púrpura era produzido na Fenícia, hoje região do Líbano, a partir do esmagamento de moluscos marinhos dos gêneros murex brandaris e purpura. A púrpura era a cor da nobreza e das autoridades religiosas, e custava muito caro: eram necessários doze mil caramujos para se obter 1,5 g de corante. A púrpura foi muito usada até o século XIII. A púrpura de Tiro, ou púrpura real, tinge em várias tonalidades, do violeta ao vermelho-lilás, mas não é uma cor firme, ou seja, desbota à medida que o tecido é lavado.

A alizarina é o pigmento vermelho da raiz da garança ou "ruiva" (em árabe alizari). As rubiáceas rubia tinctorum e rubia cordifolia são nativas da Europa, e outras espécies são procedentes da Índia e de Java. Vindas da Grécia e da Turquia, a rubia tinctorum e a rubia cordifolia passaram a ser cultivadas do século IX ao século XVIII na França para uso no tingimento de tecidos em tons de vermelho, rosa e púrpura.


Embora a arte de tingir tenha começado como um ofício caseiro, o tingimento foi, durante séculos, uma atividade comercial, que formou inúmeros profissionais. As receitas eram secretas, e baseadas no empirismo e na experiência. Guildas de tintureiros operavam durante os tempos medievais, dando cor aos tecidos importados, como lãs do norte da Europa e sedas da Itália e França. Depois da chegada de Cristóvão Colombo à América, e da descoberta do Brasil, quantidades cada vez maiores de pau-brasil, que fornecia um corante vermelho, eram exportadas pelos portugueses visando o suprimento dos fabricantes europeus de tecidos.

Corantes X Pigmentos

Vamos deixar claro que: pigmentos e corantes são substâncias que quando aplicadas a um material lhe conferem cor. Ou seja ambos têm a mesma finalidade ¨colorir¨. 


A principal diferença entre pigmentos e corantes é que, quando aplicados, os pigmentos são insolúveis e os corantes são solúveis. Outro diferencial entre os dois produtos diz respeito à cobertura: quando se usa o pigmento numa tinta ele promove simultaneamente a cobertura, a opacidade, o tingimento e a cor; o corante só promove o tingimento, sem proporcionar cobertura. Desta forma, o corante mantém a transparência do objeto tingido; já o pigmento dá cor e tira a transparência.

Existe duas características diferentes porem importantes entre pigmentos e corantes: o poder tintorial e a resistência à luz e às intempéries. O poder tintorial é a quantidade de pigmento ou corante necessária para se obter a cor desejada. O corante possui um poder tintorial muito superior ao do pigmento, sendo necessária uma quantidade muito maior de pigmento para se obter a cor proporcionada por um corante. Já quanto à resistência à luz, os pigmentos superam os corantes. Por isso devemos escolher adequadamente entre pigmentos e corantes de acordo com as necessidades de cada projeto.


Normalmente pigmentos e corantes são fornecidos em pó, cabendo ao usuário a dispersão ou dissolução até o ponto desejado para a sua utilização. Eles também podem ser adquiridos pré-dispersos, prontos para o uso, já beneficiados com aditivos, estabilizantes e outros componentes. São os concentrados comercializados na forma líquida ou em pasta.

Pigmentos

são usados nas indústrias de tintas, plásticos, cerâmicas e cosméticos, entre outras. Existem pigmentos que proporcionam proteção e efeitos decorativos, como é o caso dos pigmentos metálicos e os de efeito perolizado. Batons podem levar pigmentos metálicos, por exemplo. Os pigmentos de alumínio são ótimos para proteção contra ferrugem, especialmente se utilizados com zinco. Já para um efeito decorativo, os perolizados resultam em um acabamento luminoso exótico.

Corantes

são usados principalmente na indústria têxtil, mas também nas indústrias de artefatos de couro, papel, alimentos, cosméticos, tintas e plásticos. Dentre os corantes, os derivados de anilina são empregadas para colorir tecidos, madeiras e outros produtos. Elas são retidas no material por adsorção, dissolução, retenção mecânica ou por ligações químicas iônicas ou covalentes.

Características

Os pigmentos podem ser orgânicos ou inorgânicos, sintéticos ou naturais, e têm diferenças entre si com relação à opacidade, resistência a intempéries, facilidade de dispersão e moagem.


Os pigmentos inorgânico
Se dividem em sintéticos e naturais. Os inorgânicos naturais são geralmente óxidos e possuem menor cobertura, maior dificuldade de dispersão e menor poder tintorial; já os inorgânicos sintéticos, por serem produzidos em um processo industrial controlado, têm algumas propriedades melhoradas, proporcionando maior cobertura, uniformidade na cor, poder tintorial superior e melhor dispersão, o que resulta em estabilidade na aplicação. 

Atualmente os pigmentos à base de crômio, chumbo e cádmio não são muito utilizados, pois foram substituídos por pigmentos orgânicos que são muito menos tóxicos.

Dentre os pigmentos inorgânicos, um se destaca: o dióxido de titânio, que é o pigmento branco mais usado. Já entre os coloridos, os óxidos de ferro são os mais usados, pois possuem tons desde amarelo e vermelho até preto. Os óxidos apresentam ótima resistência à luz, há também pigmentos de amarelo de crômio e de laranja de molibdênio.


Os pigmentos orgânicos
são substâncias sintéticas que apresentam em sua estrutura química grupamentos chamados cromóforos, responsáveis por lhes conferir cor. Os pigmentos orgânicos pertencem basicamente a duas ‘famílias’: a família do grupo azo e os policíclicos. A grande maioria da família do grupo azo não tem resistência ao intemperismo, e por isso os pigmentos não podem ser usados para pintura externa. Já os policíclicos possuem resistência ao intemperismo e à luz.

De modo geral, os pigmentos inorgânicos têm maior opacidade e poder de cobertura e de tingimento. Os pigmentos orgânicos têm mais brilho e transparência. Mas o que, muitas vezes, influencia a escolha em favor dos inorgânicos é o fato de estes serem significativamente mais baratos.

Branqueadores ópticos
são usados para produzir o branco. Diferentemente de corantes ou pigmentos, que incorporam a cor ao material tratado, branqueadores ópticos, ou agentes de branqueamento fluorescentes, são compostos orgânicos incolores ou pouco coloridos que quando aplicados a um substrato ou material absorvem luz e reemitem a maior parte da energia absorvida como luz fluorescente violeta-azulada. O resultado é que os materiais parecem, ao olho humano, menos amarelados, mais brilhantes e mais brancos. 

Os branqueadores não são, portanto, matérias corantes “brancas”, como, por exemplo, os pigmentos à base de dióxido de titânio, usados em tintas, nem devem ser confundidos com alvejantes químicos como o peróxido de hidrogênio ou hipoclorito de sódio, utilizados para branquear celulose e tecidos de algodão.

Os branqueadores ópticos estão presentes em muitos produtos de uso cotidiano, como detergentes em pó e líquidos para lavar roupa, sabões em barra, papéis, na indústria têxtil em fibras naturais e sintéticas, em tintas de impressão, couro sintético, adesivos, laminados, fibras, e em tintas e vernizes.

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Acho que é isso, espero ter ajudado e até a próxima postagem.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sabonetes listrados de lavanda (Cold Process)

Olá, como falamos na postagem anterior vamos fazer um sabão com nossa forma de acrílico e todas as suas divisórias, porem desta vez não vamos dar nenhum efeito na massa, deixaremos apenas as listras, contarei com o apoio da minha filhota que vai registrar todo o processo assim teremos mais fotos desta vez. 

Começamos como sempre organizando nossa bancada e separando nossos ingredientes, a novidade é que além da solução cáustica nossa mistura de óleos também foi feita com antecedência, assim otimizamos ainda mais nosso tempo de produção. Como foi relatado em nossa postagem anterior estamos colocando em prática pequenas ações que fazem toda a diferença na administração e no aproveitamento de nosso tempo. 



Uma vez que já tínhamos nossa bancada devidamente arrumada, itens separados, solução cáustica pronta e óleos misturados, partimos para nossa nova produção. Preparamos nossa forma de acrílico com suas divisórias e pesamos nossa mistura de óleos.


Já podemos sentir a vantagem de ter preparado nossa mistura de óleos com antecedência, agora foi só pesar e dar início aos trabalhos, vamos colorir nosso óleo, primeiro adicionamos o Dióxido de Titânio, tornando nosso nossa mistura de óleos que antes estava amarela em uma mistura branca! Separamos em três partes e adicionamos o pigmento azul e depois um pouco de vermelho para ter a cor lilás. Na divisão deixamos a maior parte branca, pois será a cor mais utilizada neste sabão. 


Já com todos os óleos devidamente coloridos vamos adicionar a soda e mexer a massa até chegar a um traço leve (observe que colorimos nossos óleos antes de colocar a solução cáustica, isso nos dá tempo para fazer qualquer correção de cor sem comprometer o traço) Hora de colocar a essência de lavanda (Paris Essências, indicação de uma amiga Tatiane), achei o cheiro fraquinho e decidi por conta própria colocar 6% de essência ao invés dos 5% indicados pela amiga! Continuamos com o traço leve e não perdemos tempo, começamos a verter a massa em cada um dos espaços de forma a termos todas as cores igualmente distribuídas.




Agora vamos retirar as divisórias e teremos nosso sabão praticamente pronto, como já tínhamos falado, não vamos dar nenhum efeito especial nesta barra de sabão a deixaremos listradas, apenas isso. 


Hora de deixar nossa massa descansar por 24h e desenforma-la, como fizemos um pouco mais de massa usamos o que sobrou para fazer mais um sabão com efeito marmorizado em nossa forma de silicone. Pronto tudo esta devidamente enformado e descansando! (não usamos nenhum isolante térmico, ambas as formas estão em temperatura ambiente!)


Após ficarem 24h descansando vamos desenformar nossos sabões, começamos pela forma de silicone, retiramos facilmente nossa barra de sabão da forma de silicone. Partimos agora para desenformar nossa barra da forma de acrílico, também desenformamos com extrema facilidade.


Temos nossa barra de sabão, mas como o tempo esta muito úmido, resolvemos deixar mais um dia descansando antes de corta-los. Após 48h cortamos nossa barra ao meio, e deixaremos mais 48h para enfim cortar nossa barra em sabonetes. 


Finalmente cortamos nossas barras em sabonetes o resultado me surpreendeu, pela beleza e leveza das cores, ainda fico me perguntando como não fiz isso antes, o visual é hipnotizante, sem duvida nenhuma é mais uma qualidade para tornar nossos sabonetes ainda melhores aos olhos de nossos clientes, familiares e amigos. A arte da saboaria se torna mais visível, com desenhos e projetos gráficos mais ousados e cada vez mais encantadores. 


Estou muito feliz e satisfeito com os rumos que nossa saboaria esta tomando, e não canso de agradecer a todos que têm a paciência ou curiosidade de ler nossos artigos. Obrigado a todos! 

Acho que por hora é isso, até a próxima oportunidade!

Este sabonete e muitos outros esta disponível em nossa loja virtual, para adquiri-lo basta seguir o link:

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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Teste #20 Sabonete de três cores na forma de acrílico com divisórias

Olá a todos, estamos mais uma vez postando um teste utilizando nossas formas de acrílico, da vez anterior utilizamos apenas uma divisória, pois desta vez optamos por usar todas as divisórias, ou seja, as três. 

Infelizmente não pude tirar muitas fotos, principalmente do meio do processo onde verto a massa nas formas por conta de estar sozinho e ainda não estar habituado com esta novo sistema, que exige um pouco de pratica. O medo da massa passar do ponto também foi um fator determinante para eu não me preocupar com os registros, porem prometo que vou fazer com alguém registrando passo a passo. 

Nosso começo sempre é igual, separando todo o material que vamos utilizar, continuaremos usando a soda que fizemos no teste passado (fiz três litros com a concentração de 30%), isso facilita muito o processo fabril, porque não preciso esperar que a solução cáustica sofra reação e esfrie, o que demanda muito tempo, fiz o mesmo com os óleos, preparei a mistura dos óleos que mais uso (uma quantidade de mais ou menos cinco litros com as proporções que uso em uma de minhas receitas). 

Facilitar o trabalho é uma dos principais fatores para ter uma produção eficaz, o tempo deve ser bem administrado por isso resolvemos fazer em separado e com antecedência tanto a mistura dos óleos quanto a mistura da solução cáustica desta forma todo o processo se torna mais prático, eficiente e rápido. 

Separado a mistura de óleos vamos determinar e fazer as cores, decidimos fazer um sabão com três cores: Branco / Rosa / Lilás , para isso fizemos metade de nosso óleo de branco e o restante dividimos entre lilás e rosa.


Aromatizamos com essência de rosas e vertemos na forma obedecendo o projeto que queríamos com branco nas extremidades e as cores no centro. Devo registrar que esta é a parte mais difícil porque não podemos encher cada espaço ate encima, temos de colocar um pouco de cada cor por vez, assim as divisórias me mantem no mesmo lugar, sem se inclinarem ou sem ceder tornando a divisão irregular, isso descobri no teste anterior mas esqueci de relatar! Esta foi a etapa que mais demorou ao final a massa já estava bem consistente o que dificultou a etapa que viria a seguir. 

Uma vez cheia, retiramos as divisórias e aprendemos mais uma lição: devemos encher as formas até o topo, pois com a retirada das divisórios o nível da massa diminui (neste caso cerca de cinco milímetros ou meio centímetro). Nada como aprender mesmo que desta forma!



Quando retirei as divisórias o sabonete já estava lindo! Pensei em nem fazer mais nada, deixar como estava!!! Mas não resisti e decidi fazer algum efeito. Fizemos o efeito de redemoinho mas como disse anteriormente a massa já estava bem consistente o não ficou como eu desejava, mas como estamos em fase de adaptação e aprendizado desta técnica e é nossa segunda tentativa com a forma acho que ficou bom. Mas vou fazer outro apenas com divisórias sem efeito, quem sabe um de lavanda!



Como sempre fiz um pouco mais de massa, e o que sobrou coloquei na forma de silicone dando um outro efeito, o marmorizado (que também gosto muito e é muito simples e rápido de fazer), tivemos problemas com o pigmento vermelho, mesmo misturando muito ele não se dissolveu totalmente, com isso apareceram pequenos pontos vermelhos em nosso sabão o que não compromete a qualidade, mas compromete o aspecto visual do sabonete.





O resultado esta aqui, me agradou muito, mas sei que posso melhorar muito e estarei me aprimorando dia a dia nesta técnica, mas de qualquer forma o resultado esta dentro do esperado.


Acho que por hora é isso, até a próxima!

Este lote foi produzido dia 16/05/2013 e estará liberado para uso dia 17/06/2013 encomendas pelo E-mail: amof.amauri@gmail.com

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Otimizando o tempo de produção!

Pressa e qualidade são palavras distintas que nunca devem estar juntas, é quase impossível se obter alta qualidade com prazo de tempo insuficiente ou fazendo alguma coisa rápido de mais. 

Na saboaria não é diferente, todos os processo exigem tempo, seja para separar os materiais necessários, ou para fazer os cálculos de cada receita, para derreter e misturar os óleos, fazer a solução cáustica, esperar tudo estar na temperatura ideal, etc... 


Aprendi em outra área que atuo, que a otimização e o gerenciamento do tempo se bem feitos podem trazer benefícios para qualquer área de nossa vida, e se trabalho com isso porque não usar estes conceitos na saboaria? Pois bem, fizemos uma reflexão e analisamos todo o processo fabril passo a passo.

Não preciso dizer que a mistura dos óleos e a preparação da solução cáustica são o gargalo do processo, não porque demandam muito tempo para serem manipulados, mas pelo tempo de espera necessário para que atinjam a temperatura ideal de uso. Estes dois processo são responsáveis por 2/3 do tempo empregado na fabricação de um sabão e apenas 1/3 é utilizado na preparação do local de trabalho, equipamentos de segurança (sempre importante), ingredientes a serem utilizados, e limpeza dos equipamentos. Só deixamos de fora o corte porque depende muito de cada receita e do tempo de secagem que elas necessitam. 


Pois bem, como podemos otimizar estes 2/3 de tempo? Pesquisamos e perguntamos a alguns químicos amigos e nos foi relatado que poderíamos fazer a solução caustica com antecedência, não precisamos fazer na hora de fazer o sabão, basta saber que receita vai usar e fazer a solução com a concentração indicada na receita. Aqui fizemos em três concentrações diferentes: 28, 30 e 32% assim atendemos a mais de 90% de nossas receitas (mas lembre-se de escrever ou etiquetar o local que vai guardar a solução com sua concentração especificada para que não haja possibilidade de troca na hora que for usar), da mesma forma procedemos proceder com os óleos, misturamos todos os óleos nas proporções indicadas que usamos em cada receita e colocamos em recipiente de cinco litros, assim na hora de fazer determinada receita, basta pegar a mistura de óleos que se deseja e a solução caustica adequada. 

Parece bobagem, mas os óleos retêm muito o calor e demora algumas horas para chegar a temperatura desejada, o mesmo acontece com a soda cáustica. Fazendo desta forma temos a possibilidade de eliminar este tempo de espera, esquentar os óleos é cinco vezes mais rápido que esperar que eles esfriem. E quando se produz de forma planejada o tempo ganho significa maior produtividade e consequentemente maior lucratividade, além de sobrar tempo para outras atividades!


A organização do espaço é outro item muito importante, devemos estar com tudo bem organizado, local para pigmentos e corantes (arrumados por ordem alfabética ou potes numerados), local para essências e óleos essenciais, potes e medidores, moldes... enfim devemos ter nosso local de trabalho devidamente arrumado e ORGANIZADO! imagine que no meio do processo fabril você não consegue encontrar o pigmento vermelho vivo que queria para fazer os sabonetes de coração! vai usar outra cor? vai interromper o processo para procurar o pigmento vermelho? pois é, isso tudo gera STRESS e termina atrasando todo o seu trabalho. Por isso mesmo friso bem que além de arrumado seu local de trabalho deve estar organizado.

Fazer um chek list ajuda muito, escreva tudo o que vai precisar em cada uma de suas receitas e coloque esta ficha que chamaremos de ficha técnica em uma pasta organizadora e sempre que for fazer esta receita, pegue esta ficha técnica e confira tudo o que sera necessário, ingredientes, material de apoio, material de segurança, utensílios específicos e só depois disso comece a manipular seus ingredientes. Parece bobagem né? mais isso ajuda-rá a tornar seu tempo mais produtivo e você se torna-rá mais disciplinado.


Sempre acreditamos que sabemos tudo que vamos fazer, esta tudo na cabeça, tudo decorado, mas acredite,  não é bem assim, nossa memória falha e se fizermos assim estaremos sujeitos a perder tempo buscando as presas algum item que terminamos por esquecer ou em ultimo caso perdendo o próprio trabalho que foi iniciado sem nenhum planejamento. Fazer um produto de forma artesanal não significa que não podemos ter planejamento, muito pelo contrario, onde temos limitações de produção (afinal fazemos tudo com nossas mãos) apesar de conseguirmos fazer nossos produtos mesmo sem estarmos tão organizados, precisamos de organização e gestão sobre o tempo para que tenhamos uma produção maior e mais satisfatória.

Pense nisso, reorganize o seu modo de trabalho, aprimore o processo fabril e colha os frutos. 

Espero ter ajudado com estas dicas. Por hora é isso, até a próxima!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Testamos o efeito de redemoinho em nosso sabonete usando nossa forma de acrílico.

Olá à todos, depois de um período sem postar estamos de volta com algumas novidades. Finalmente testamos nossas formas de acrílico e o resultado não poderia ser melhor! Tudo muito prático e fácil ( só resta pegar o jeito, o que virá com o tempo! ). 

O fato de ser uma forma transparente ajudou muito, a régua lateral também foi muito útil na dosagem da quantidade a ser vertida na forma, gostei muito! 

Começamos como sempre com um cheque-list de nossos equipamentos, começamos com os itens de segurança (luvas, óculos, avental...) depois separamos todos os ingredientes que vamos usar em nossa formula (neste ponto temos uma novidade: preparamos nossa solução caustica ha alguns dias e usamos hoje em temperatura ambiente.) tudo separado vamos ao preparo de nosso sabão! 


Preparamos nossa forma de acrílico colocando um filme na parte de baixo da forma (assim evitamos vazamentos e facilitamos a retirada de nosso sabão da forma (não forramos a forma toda, apenas colocamos na parte de baixo), vamos usar uma divisória para obter um sabão com duas cores ou quem sabe fazer algum efeito, vamos decidir isso mais para frente!



Misturamos nossos óleos (gosto sempre se mostrar esta imagem, porque da pra ver que 1 quilo de óleo não é o mesmo que 1 Litro de óleo, isso acontece por causa da densidade do óleo, cada liquido tem uma densidade diferente, por isso devemos pesar cada item, mesmo os óleos apresentam densidades diferentes, assim podemos ter óleos mais leves e óleos mais pesados! esteja atento a isso sempre) e separamos em duas partes, adicionamos pigmento branco em uma das partes e azul na outra, prosseguimos adicionando a solução caustica e depois de atingir um traço leve vertemos a essência (neste caso usamos essência que compramos por indicação de uma amiga saboeira “Tatiane” na Paris Essências para fazer um teste). Continuamos e a massa não travou, muito bem mesmo, conseguimos trabalhar sem pressa o que facilitou muito nosso trabalho. 



Colocamos parte da massa de um lado da forma e a outra do outro lado, a falta de pretica com este novo processo nos faz perder um pouco de tempo e o medo da massa endurecer nos deiza apreensivo, mas no fim tudo deu certo. Retiramos a divisória e podemos ver nosso sabão de duas cores, foi nessa hora que deu vontade de tentar fazer alguma coisa diferente e resolvemos tentar um efeito esfumaçado, pegamos um palito comprido e passamos de um lado para o outro (tipo zig-zag) do começo até o fim da forma e deixamos nosso sabão descansar. 



Com aproximadamente seis horas nosso sabão já estava duro o suficiente para ser retirado da forma (como foi a primeira vez que utilizo a forma não queria correr o risco do sabão grudar na forma e ter de passar uma faca, fio ou mesmo colocar na geladeira), e assim fizemos, desenformamos com muita facilidade, priticamente o sabão saiu sozinho da forma!


Deixamos descansar por mais 48h. levamos para pesagem e tínhamos uma barra de 1000g de sabão pronto para ser cortado (até o peso deu certo! nossos sabonetes têm em média 100g então calculamos as formas para fazer 1 quilo ou seja 10 sabonetes de 100g), quando dei o primeiro corte e pude finalmente ver o resultado do efeito fiquei encantado, as cores se misturando, os pequenos detalhes dos sobre tons quase imperceptíveis, fiquei olhando por alguns instantes sem acreditar que tudo tinha dado certo! Até a glicerina que se formou ajudou no visual.



Passado a euforia cortei nossa barra de sabão em sabonetes de 6x6x3cm o tamanho que estabeleci como padrão para meus sabonetes (mais ou menos 100g).


O resultado ficou ótimo, gostei muito e vou me dedicar mais a esta técnica e me aprimorar mais até a glicerina que se formou (manchas mais escuras no Azul e no branco) terminaram dando um toque ao sabão.

Porem sobrou um pouco de massa que misturei grosseiramente e resolvi fazer um efeito marmorizado na forma de silicone para ver se ficaria bom ( para se conseguir este efeito as cores devem ser misturadas grosseiramente e vertidas na forma, só isso), foi outra agradável surpresa ver este efeito que particularmente gosto muito em um sabonete AromaChik, foi uma tarde muito produtiva e cheia de belas surpresas!



Espero que tenham gostado, acho que por hora é isso! Até breve...

Este teste foi realizado no dia 13 de maio de 2013, estará liberado dia 13 de junho... Aguardem o teste de uso deste sabonete. Encomendas pelo E-mail: amof.amauri@gmail.com