terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

HOT PROCESS, uma alternativa interessante para o uso imediato.

Hoje vamos fazer um teste totalmente novo, testaremos uma técnica e não um item. Hoje vamos fazer um sabão usando o processo a quente, esta escolha foi fruto do ultimo teste onde usamos uma essência de morango silvestre e travamos nossa massa. Resolvi então que neste lote farei um processo a quente, onde levaremos nossa massa ao fogo (banho maria) e assim não precisarei me preocupar com possíveis problemas com a adição da nossa essência.

Iniciamos da mesma forma, separamos nossos ingrediente, pesamos e misturamos nossos óleos, separamos essências e aditivos. Não precisamos nos preocupar com a temperatura dos nossos óleos ou mesmo da solução cáustica podem ser misturadas a qualquer temperatura, o traço deve ser mais grosso e não devemos colocar mais nada por enquanto.



A partir deste momento que o processo muda por completo, após atingir um traço grosso levamos nossa mistura ao fogo, forno ou micro ondas, vou descrever o processo de cozimento no fogo (banho maria) que foi o utilizado nesta receita.


Diferente do rebatch, o processo quente não necessita de adição de mais água já que nossa mistura já esta como uma massa maleável  então simplesmente levamos nossa massa ao fogo em banho maria por aproximadamente 60 minutos ao todo (isso vai depender do peso de sua receita, quanto mais pesada mais tempo de cozimento). Durante este tempo acontecera a fase gel, teremos a formação da glicerina, a massa mudará de textura algumas vezes mas, devemos estar sempre mexendo nossa massa afim de ter um cozimento homogênio. (infelizmente não deu para fotografar algumas etapas porque nossa maquina acabou a bateria! hehehe... falha nossa. Mas repetirei este processo e postarei todos os passos assim podemos entender melhor todo o processo)



Neste intervalo separe seus aditivos e a essência que deseja usar, neste processo podemos usar tanto Óleos Essenciais quanto Essência sem problemas. Após o cozimento da massa vamos testar colocar os aditivos escolhidos e após retirarmos uma pequena amostra da massa testaremos seu pH para ver se a soda cáustica foi totalmente neutralizada.


No processo quente a soda é neutralizada e podemos usar o sabonete assim que ele esteja pronto, por isso é importante se medir o pH, após retirar nossa massa do fogo (banho maria) precisamos deixar que ela esfrie para podermos adicionar nossa essência e se for o caso nossos aditivos.

Com a massa abaixo dos 50°c podemos colocar nossa essência ou o óleo essencial  lembre-se de estar sempre mexendo a massa para ter uma pasta homogênea.



Escolha a forma que vai ser utilizada e com a ajuda de uma espatula transfira a massa para sua forma, com a ajuda da espatula sempre empurre sua massa contra o fundo da forma, assim você garantirá que não fiquem espaços vazios.




Depois de transferir toda a massa para a forma precisaremos cobri-la com um filme para dar acabamento na parte superior do nosso sabão, mas se preferir dar um aspecto mais rustico isso não se faz necessário. Após colocar um filma sobre a massa devemos fazer pressão na massa para que a mesma complete qualquer espaço que tenha ficado vazio na forma, depois podemos literalmente alisar nossa massa dando assim um aspecto menos rustico a nossa barra de sabão.


Mesmo neste processo, nosso sabão passa por uma fase gel, ele vai endurecer mais rapidamente na forma e não será preciso nenhum isolamento térmico. Geralmente pode ser desenformado entre 12 e 24h depois de enformado, mas deve descansar entre 3 e 7 dias para perder o excesso de água e se tornar mais resistente a água. Como utilizamos essência nesta receita (Calêndula) podemos sentir todo o perfume que exala de nosso sabão, um aroma envolvente e convidativo de mato verde, terra molhada e flores no orvalho.


Depois de desenformado, fracionamos nossa barra de sabão em três pedaços de aproximadamente 100g cada, neste processo a massa fica mais leve, aerada, resultando em um sabonete mais macio.



O resultado final ficou bom, agora só nos resta esperar um tempo para testarmos seu uso em um belo banho.

Este teste foi feito dia 1 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Lote #16 Técnica de Rebatch, saiba fazer pois um dia esta técnica pode salvar seu sabonete.

Mais um teste com essências, estou testando algumas possibilidades e alguns fornecedores, por isso estamos insistindo tanto na utilização de essências, este teste foi muito louco, primeiro por estar fazendo hoje três testes ao mesmo tempo o que postamos anteriormente com argila, este que estamos apresentando agora e um outo que postaremos a seguir todo feito com a técnica HOT PROCESS, quase fiquei maluco!



Mas uma vez a essência mostra como ela é temperamental, é necessário fazer como estamos fazendo, testar uma por uma em lotes pequenos só assim poderemos determinar quais essências poderemos usar ou se for o caso determinar que processo deve ser usado para o uso de determinada essência.



Como foi dito neste teste usamos uma essência de morango silvestre e como aditivo semente de colza (um esfoliante natural) e o resultado foi impressionante, nossa massa virou um sei lá o que! impossibilitando qualquer tipo de manuseio nesta hora é bom já ter passado por isso e pesquisado o que fazer. A reação entre a essência e a massa teve como resultado imediato a mudança da coloração de vermelho para um quase roxo, não houve mudança no aroma, mas a textura passou de liquida para solida em uns 10 segundos, não usamos o mix neste teste, apenas a espatula e força braçal (risos)



O procedimento que utilizamos me foi apresentado a um tempo atras por duas figurinhas a Emilia e a Tati e é conhecido como rebatch, este procedimento é bem simples, trabalhoso mais simples, e resume-se em pegar esta massa que deu problema e leva-la ao fogo (em banho maria) por um determinado tempo (este tempo vai depender do peso da massa) a massa será aquecida e se transformará em um creme.

Falando em bom português a massa vai literalmente cozinhar em banho maria, desta forma ela elimina a essência por evaporação, ao mesmo tempo que elimina o tempo de cura porque neutraliza a solução cáustica, possibilitando o uso do sabão logo após sua secagem.


Nesta técnica temos de mexer durante o processo de cozimento da massa, ao final do processo devemos acrescentar novamente a essência escolhida (a essência que foi colocada antes do rebatch evapora no cozimento da massa) depois é só enforma-lo novamente, desta vez com o auxilio de uma espatula já que a massa vai estar muito mais encorpada.



Esta técnica resulta em um sabão mais macio, porém mais rustico, com o calor a essência evapora e será preciso adiçionar mais essência ao final do processo. Ha quem diga que prefere esta técnica outros já não gostam, mas acho importante ter conhecimento desta técnica para poder salvar seu sabão caso algum dia precise. Eu mesmo já perdi um lote por não saber como fazer para consertar o que havia dado de errado com um dos meus primeiros lotes de sabão. Outra vantagem é que o sabão que passa por rebatch pode ser utilizado logo após sua secagem porque a soda é neutralizada durante o cozimento da massa (para se ter certeza que a soda foi neutralizada durante o cozimento é necessário fazer um teste de pH).





Após esperar por 24h desenformamos nosso sabão, deixamos que ele respirasse por mais 24h e então o fracionamos em três pedaços de aproximadamente 100g cada um e colocados para descansar, não precisam curar o descanso é apenas para perder mu pouco mais de água e ficar um pouco mais rígido, mas já esta pronto para uso.

 PS.: (soube que álcool destrava a massa mas não encontrei nenhuma literatura que explicasse isso de forma clara, caso alguém saiba de alguma coisa referente a isso e queira compartilhar seria ótimo)

Este teste foi feito dia 1 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Teste Lote #15 sabonete com argila

Hoje resolvi fazer alguns testes ao todo serão três e o primeiro com adição de argila vermelha (ainda tenho argila amarela e verde), já estava nos meus planos fazer este teste e agora vamos colocá-lo em prática.

Seguimos nossa rotina de preparação separando os ingredientes, pesando os óleos e escolhemos o aroma a ser utilizado. desta vez não vamos resfriar muito os óleos e a solução cáustica porque não vamos usar essências e sim OEs (óleos essenciais), então vamos resfriar até 40°c, notem que nossa solução cáustica esta quase a 100°c, por isso devemos manuseá-la com o máximo de cuidado.



Misturamos nossa solução cáustica com os óleos (palma, palmiste, oliva, mamona), tudo correu bem e resolvemos não vamos usar o mix para adiantar o traço, usaremos apenas para homogenizar os óleos, vamos tentar alcançar o traço usando apenas a espatula, caso demore ai sim vamos usar o mix para ajudar. 




Adicionei a argila aos óleos o que já deu uma coloração avermelhada e mais consistência a mistura, a partir deste ponto não usamos mais o mix.


 Mesmo usando apenas a espatura não demorou muito para atingirmos um traço leve (a argila acelera o processo mesmo, isso é normal) ... Hora de colocar nosso OE, continuamos a nossa mistura até a hora de verter nossa massa na forma (como se trata de testes, estamos usando um total de 310g entre óleos e solução cáustica).


Fizemos este teste a noite, na manhã seguinte ele já estava duro e o aroma já se fazia presente. esperamos e desenformamos com extrema facilidade, praticamente ele saio sozinho do molde, isso aconteceu aproximadamente 18h após coloca-lo na forma, sua textura é diferente da pra sentir que será um belo sabonete esfoliante.



Deixamos ele respirar por 30 minutos e o fracionamos como sempre em três pedaços de 100g, a partir deste ponto é esperar pelo tempo de cura e fazer nosso teste de uso.


Este teste foi realizado dia 1 de fevereiro de 2013 e estará liberado para uso entre 30 e 45 dias.

Bem, por hoje é isso, mais temos mais dois testes que fizemos neste mesmo dia que serão postados logo, logo.




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Teste Lote #14 Sabonete de chocolate

Como já havíamos comentado antes estava em nossos planos fazer um sabão de chocolate, mas como assim? isso mesmo um sabão bem baiano, da terra de Gabriela e suas gloriosas fazendas de cacau, fomos inspirados pelo aroma da manteiga de cacau que por si já cheira a chocolate aliamos a esta fonte de hidratação espetacular o azeite de oliva, o óleo de palma e de palmiste e finalizamos com a delicadeza do óleo de mamona.



Um sabão de cor escura como um autentico chocolate do mais puro cacau, sua cor me lembra uma barra de chocolate meio amargo, o cheiro se espalha pelo ar durante quase todo o processo mas queríamos dar um toque de personalidade em nosso sabão e adicionamos o aroma das mais puras favas de baunilha, com seu cheiro marcante e adocicado.

Começamos este teste preparando nosso chocolate de cozimento, este é o método mais indicado para se fazer este tipo de sabonete, o processo é bastante simples e consiste em misturar a manteiga de cacau com o chocolate em pó (detalhe importante o chocolate não deve ter açúcar  pois a presença de açúcar vai aumentar a dureza e a quantidade de espuma de sua formula) use a proporção de 40% de manteiga de cacau aromatizada (existe a manteiga desaromatizada ou seja sem a melhor parte!) para 60% de chocolate em pó ou se tiver aqui na Bahia e ir a Ilhéus pode conseguir o cacau em pó, em seguida basta derreter a manteiga e misturar o chocolate, tendo o cuidado para não deixar empelotar.

O restante é segui r nossa rotina de trabalho, separamos utensílios  material de apoio e ingredientes. Pesamos tudo e deixamos organizados em nossa bancada de trabalho.


Mais uma vez optamos por baixar a temperatura de nossa solução cáustica, por dois motivos. O primeiro por querermos adicionar um pouco de essência de vanila em nosso sabão e a segunda por que vamos trabalhar com uma nova proporção de soda cáustica (2:1), assim não correremos riscos de não conseguirmos desenformar nossa sabão. Por outro lado temos neste teste três agentes catalizadores, 1 a alta concentração de NaOH em nossa solução cáustica (2:1) o máximo que tinha utilizado antes deste teste foi uma concentração de 32%, 2 o próprio chocolate por conter açúcar natural e o açúcar aquece nossa mistura fornecendo combustível para a reação química e a 3 utilização de essências geralmente travam a massa como já mostramos e relatamos em alguns posts.



Mas deu para fazer tudo o que pretendíamos  a única coisa que não deu foi fazer um marmorizado, mas fica para a próxima oportunidade quando voltaremos a usar uma concentração de 32% acredito que com essa concentração nos vamos ganhar mais tempo para trabalhar nossa massa de sabão.


Mesmo trabalhando com a temperatura mais baixa que o geralmente recomendado, nossa massa chegou ao traço rapidamente, nem usamos o mix, foi na base da espatula e do braço mesmo, em cerca de 30 segundos ela já estava dando o traço e logo depois começou a ficar mais e mais sólida. Não tive tempo de fazer a segunda cor e nosso sabão ficou apenas com a cor marrom escuro, quase um preto! o aroma se faz presente durante todo o processo.


A massa não da para verter na forma, assim tivemos que colocar com a espatula mesmo, mas sem drama, estava maleável muito macia. Emoldamos sem dificuldade, outra vez optamos por não deixar nosso sabão na caixa térmica deixando que todo o processo acontecesse a temperatura ambiente.



Passadas 12 horas (fiz o sabão ontem a noite) nosso sabão já dava sinais que seria bastante sólido, quando peguei a forma ele praticamente desenformou sozinho! já estava rígido o suficiente devido a alta concentração de NaOH de nossa solução cáustica (2:1).

O aroma já não esta tão presente, mas noto que sempre é assim, após o processo de saponificação os aroma meio  que adormecem para depois despertarem novamente.


Não perdi tempo e fracionei nosso sabão em três partes, em seguida foram acondicionados em uma caixa para terminar a cura de 30 dias. Acabei de dar uma verificada neste lote e pude confirmar que seu aroma que estava adormecido finalmente começa a despertar, um aroma intenso, amanteigado e que toma conta de minha imaginação, tenho de me controlar para não dar uma bela dentada nessa barra de chocolate amargo, quer dizer sabonete, o melhor do aroma que sinto por todo canto da casa é a doce sutilidade do chocolate e as notas finais de baunilha deram um toque ainda mais gostoso a nosso sabonete de chocolate, acho que até o momento é o meu preferido.

Este teste foi realizado no dia 31 de janeiro de 2013. Acho que por hora é isso, até a próxima!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Teste Lote #13 Oliva 75% com adição de essência.

Estamos na reta final desta primeira bateria de testes para entender melhor esta reação química que resulta em belos sabonetes de óleos 100% vegetais. hoje vamos testar uma nova receita com 75% de azeite de óliva.

No começo nenhuma novidade, seguimos nossa rotina de pesagem e acondicionamento dos itens a serem utilizados. a única novidade foi o acréscimos da cor verde ao sabonete. Mais uma vez usamos o óleo de palma, óleo de palmiste e 75% de azeite de oliva.


Trabalhamos com temperaturas mais baixas que o normal para podermos acrescentar nossas essências sem maiores problemas, para isso usamos um recipiente com água e gelo assim conseguimos uma temperatura inferior a 25° mas devemos admitir que não sabemos no que vai dar por termos mais da metade da receita com um óleo bastante soft (no caso o azeite de olive) mas mesmo assim demos inicio a mistura da solução cáustica com os óleos...                                         
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

A condição de temperatura abaixo dos 25° nos deu mais uma vez a possibilidade de retardar o traço porque retiramos seu principal catalizador (o calor) assim ganhamos alguns instastes a mais. enformamos nossa sabão sem grandes problemas e os levamos para caixa térmica, onde passara as próximas 24h.


Monitoramos o inicio da fase gel e ficamos mais tranquilos ao ver a temperatura da caixa térmica chegar aos 40 graus... mesmo forçando uma temperatura baixa durante todo o processo de mistura dos ingredientes de nossa receita, ainda assim quando a reação química começa não temos como mante-la em temperatura constante e ela salta de 25 para 40 graus em menos de uma hora.

Notem que ha uma segunda barra de sabão em nossa caixa térmica, é o resultado do teste que publicamos anteriormente, ambos foram feitos no mesmo dia, praticamente na mesma hora.



Ao cortarmos nosso sabão percebemos pequenas manchas transparentes no meio da massa, mais um problema? não sei responder de imediato, mas pensei na possibilidade de formação de glicerina durante o processo de saponificação de nosso sabonete, foram produzidas apenas uma barra de 300g de resultou em três sabonetes de 100g cada, uma foi enviada para um amigo químico que ficou de analisar o que poderia ter ocorrido. Mas a primeira vista ele também acha muito provável que seja glicerina.


Existem casos que se coloca o sabão na geladeira para que a temperatura não suba e assim se elimina a fase gel, deixando o sabão mais macio e cremoso, nunca fiz este teste, mas quem sabe um dia fazemos para ver no que vai dar...

Este teste foi realizado dia 24 de janeiro de 2013...